segunda-feira, 9 de novembro de 2020



 



       Hoje, a minha Mãe levou-me à escola. Com tudo em nós e contudo sem sacola. Fui inteiro, passo a passo, sola a sola. Ao ver a carteira de madeira, emocionado vi-me nela sentado quiçá um pouco assustado por ter tanto ainda a aprender. Mas há tempo ainda para ser e viver. Senti-me um grão lá na eira, pequeno mas parte da feira que é querer um mundo melhor. Não tive frio, havia portas. E as janelas tão bem fechadas abriam-se a tudo lá fora. Aos gritos das outras crianças,  às brincadeiras entre árvores e à horta, a um futuro que a todos dizia respeito e ainda hoje mais importa. São letras, são livros, são histórias, são antepassados e vitórias, pois de luta somos nós feitos. Não foi passado, é presente. Não atirei o pião, foi diferente. Foi viajar na nossa criança, foi ganhar mais confiança  e achar-me um pouco mais forte. Foram abraços e sorrisos,  foi o crescer dos dentes do siso, pois navegar é assaz preciso. São documentos de lindos momentos, vivências contadas e vividas, e dadas sem nada pedido em troca. São Homens como não há. E na verdade só o Artista nos mostra o saber, o b-a-bá.
       Que felicidade ter ido à escola, mesmo sem ter levado a sacola. Mais inteiro saí, passo a passo, sola a sola.

3 comentários:

  1. Que texto surpreendente de subentendidos, emoções e certezas, e tudo foi expresso em frases belas, bem construídas e cheias de alegria!
    Que feliz fico por ter-te levado à escola, que feliz fico por seres quem és!

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  2. No dia 27 de Setembro e de 2020 fomos à escola. Fomos a escola. A escola que somos todos nós. Porque, como dizia outro, ontem, na Bolívia (numa língua que não precisa de tradução para quem saiba... ou queira, o que não é o mesmo mas é igual) tudo é de todos e que nada falte a ninguém! Obrigado (com emoção!), Nuno.

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  3. Fizeste-me voltar à minha escola de Pedras Rubras de sacola e descalço, que é como iamos todos!Foi bom, pois as emoções florecem como lirios, parecem-se muito.
    Obrigado, sinto-me algo mais feliz ainda que agora com sola, então sem ela.
    Vou seguir-te se não te importa.

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