As nossas portas são janelas abertas para o mundo e para as hortas. Entra luz e sente-se o cheiro das flores do campo inteiro. São morcegos e são pardais, são besouros e tantos mais que nos olham com um sorriso. E o vento pasmado tenta com o frio em rebuliço, encontrar uma nesga aberta e impor o seu feitiço. O esforço é grande mas aceitam o que lhes oferece a parca desfeita. Não lutam mas afagam, não gemem mas acalmam e acariciam outras gentes. Acabou o tiritar dos dentes, a saudade dos verões ausentes que quentes a lareira nos torna. O crepitar do fogo no chão e a felicidade de não ter televisão adensam-se na tranquilidade. O mundo observa as chamas, o fumo sobe e aclama a pele que sente ternura, e ama. As portas não são comportas, são caminhos por desvendar, são passos ainda por dar tal criança trôpega e frágil. Não têm chave nem postigo pois assim é bem mais fácil abraçar um nosso amigo. Abrem e fecham, riem e choram que a vida é só isso, é aqui, é agora.
O possivel encanto de ir encontrando coisas belas sem as procurar...
domingo, 22 de novembro de 2020
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Quem dera que não houvesse chave em nenhuma porta…
ResponderEliminarQuem dera que a tranquilidade fosse apenas o crepitar do fogo no chão e não ter televisão!
As tuas portas são mesmo especiais, são das que dão entrada à vida!
É aqui, é agora. Com os outros, os de aqui, os de agora. Mas também os de antes e os depois. São as portas que não nos fecham à vida.
ResponderEliminarBoa.'Tá cheio de ritmo e sem rimas forçadas.