
Olhava um espelho e vi que entre uma árvore e mim, se o posso dizer assim, não há tanta diferença enfim. Aparentemente, acrescento sim. Pois eu tenho cabelo e barba e algum pêlo por fim. Mas ela que tem as folhas e as flores, que nos dão milagre-atributos aos quais decidimos um dia chamar frutos. Pois eu tenho braços e mãos, e então ela que tem ramos e galhos, pauzinhos como agasalhos das misérias que andam p'raí. Eu corpo, ela tronco. Com uma base fundeada em raízes, capilares e algumas varizes de tantos pontapés que se lhes dão. E eu com apenas dois pés que apesar de os querer bem assentes, esvoaçam calçados no ar. Finco-os na pedra e no aço e peço ajuda a um braço para a ela me ligar. O outro apanha uma fruta para ganhar força p'rá luta que está aí a chegar. Rego as árvores com o meu ser porque espero um dia ter a honra de me aceitar. Como sou e posso ser, sem querer mais do que tenho ou possa mesmo merecer. Não há tanta diferença enfim entre uma árvore e mim, se o posso dizer assim. Apenas mais ética e valores como folhas de todas as cores, mais verdade e mais amor mesmo se a fruta tiver bolor e até a humildade construída como a casca e com a idade. A árvore tem humanidade e eu complico a vida, tão fértil em simplicidade, honestidade, sem dor. Talvez um dia eu consiga deixar de ser filho do Homem e se por uns momentos for árvore assim saberei que morri e pura Natureza renasci. Não há tanta diferença enfim entre uma árvore e mim, se me permitem que o diga assim.
Permito, concordo e aplaudo o teu texto, as tuas reflexões e as conclusões finais, certas e aceitáveis. Não há de facto tanta diferença assim entre um homem e uma árvore!
ResponderEliminarEste post demorou mas chegou bem, em tempo certo e a transmitir admiração e satisfação. Fico à espera de mais...e aqui fica o meu abraço agradecido e muito, muito apertado!
Esqueci-me de assinar...aí vai!
ResponderEliminarO comentário assinado “anónimo” é originário da mesma cabeça que s’assina Justine…e que manda um tronco de árvore florido para ti!
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