quarta-feira, 4 de agosto de 2021


        Os cães-nossos que estão na Terra foram a salto p'ra Espanha. Não foi mau, antes bonito e com eles já nada me estranha. O rio estava sereno e o Sol já fora do pleno acariciavam as árvores e as águas. Sob as folhas e sob o estio, adorando um desafio, procuraram outros caminhos. Novos destinos que só os desertos podem dar e nem foi preciso nadar. Nem tão pouco carimbos ou visas em documentos que nos querem a amar. Nossos cães não ficam fartos da liberdade de simples saltos como o são aqueles partos de amor das nossas mães. São instintos, é Natureza, é  muito simplesmente a beleza de fazer sem pecado e com paz. Que o Homem está a esquecer de ser capaz. Novos medos e preconceitos, censura opressora dos peitos de quem já não respira por si. A vergonha de inspirar muito fundo, de parecer que tal é um abuso para as normas julgadas globais. Não há globos, sim hemisférios, esqueçamos os receios e os tédios e saltemos juntos o rio. Colocar o pé numa pedra com os olhos em frente na margem que é bela e invulgar. Se molharmos o pé não importa, é apenas extremidade do todo em que o umbigo é ínfima parte, sem importância, valor ou riqueza a não ser a absoluta beleza de quando fetos à Mãe nos ligar. Deixemos de fixarmo-nos nele e olhemos a pura verdade. Somos como os cães natureza, disso tenho absoluta certeza, pois acabei de todos os rios saltar.

1 comentário:

  1. Cada palavra é um conceito, uma verdade, fazendo deste texto um texto filosófico, metafórico, críptico, riquíssimo, que só compreende a fundo quem te conhece bem! E as palavras fluem em ondas, em ritmo de mar e rio, ligando como deve ser o homem, os cães, a natureza.
    Excelente post! valeu a pena esperar…
    (e a fotografia também não está nada má, pois não??)
    Abraço-te

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