sexta-feira, 15 de dezembro de 2023


 


Olho os dias como letras, que se juntam e dizem coisas, que se passam construindo a vida. Aprendo que é a viver que escrevo a minha estória, não de livros nem de escolas mas de frases escritas nos dias que lhes usufruo das horas. Tal gaiato surpreso que aprende coisas novas que todos achamos saber, encanto-me que o Sol e a Lua sem pressa me mostrem o que devo escrever. Até gostaria de saber escrever sobre a vida e juntar letras enquanto cresço, mas suponho que só perto da morte o meu texto me mostre o saber.  Do estar, do ser, do agora porque ontem já foi,  não importa, é sobre hoje que quero aprender. Juntar letras é fácil, parece, dependendo do que pretendo dizer, juntar dias é mais fácil ainda se os bichos eu tentar perceber. É que eles já nascem com tudo, ou com nada se me faço entender. Já eu tenho os dias contados como as letras que me fizeram saber. Por isso procuro as outras, daquelas difíceis de ler. Faz-me ver que as letras que sei não são nada do que penso saber. Passo os dias como as letras que junto e olho as frases que podem nascer, vejo o tempo que passa e pergunto porque querem as pessoas correr. O tempo, esse, não pára e sinto que agora o estou a viver. Escrevo os dias com actos e letras e vejo assim que não estou a morrer. Olho-me e renasço. Sou, parágrafo.