
Ontem olhei uma raposa nos olhos e no rio vi uma lontra a brincar. Hoje comi cerejas da árvore que por mim pareciam chamar. Não me aborrece esta vida sem tempo em que o acaso se torna o alento da Natureza humildemente eu amar. E não sei o que o amanhã me reserva só sabendo que caminho até lá. É um passo, são dois, outros tantos que me levam onde espero chegar, porque o caminho se faz caminhando sem a lontra e a raposa assustar. São dois seres que livres não esperam nos passos que eu dou enveredar, não tropeço, não corro e não quero os passos delas molestar. Admiro, sorrio e só espero que os meus olhos mais uma vez possam nos olhos destes seres pousar. Liberta-me, preenche-me e vivo o prazer de poder desfrutar da liberdade que elas vivem e sentem como sinto aquela cereja do pomar. Não sonho e vivo o que posso e vivo no sonho de como elas me libertar. De preconceitos, de julgamentos e intolerâncias que só me dão azia ao jantar. Que boa aquela cereja, que lindos os olhos da raposa e que bela a lontra a brincar.