O possivel encanto de ir encontrando coisas belas sem as procurar...
quarta-feira, 28 de dezembro de 2022
sexta-feira, 9 de dezembro de 2022
segunda-feira, 14 de março de 2022
Ainda há pouco, ao anoitecer, vi o silêncio do vôo do mocho. Logo eu que faço tanto ruído a pensar. Não foi sonho nem puro acaso, mas simplesmente um mocho a voar. Talvez eu gostasse de ser também pássaro e sem barulho entre as árvores estar. É perfeição a que não me destino nem anseio o mocho imitar. Ele é a Natureza em delírio e eu sou só um entre muitos, igual. Sou pequeno quando vivo estas coisas de tão simples e nobres que são, bichos livres e puros apenas, enquanto eu complico amiúde e ao pensar sou cativo e prisão. Sou defeitos, desfeitas, tristezas, sou talentos e poucas maleitas, sou doente e recuperação. Sou só eu indivíduo imperfeito mas em crescendo, em melhor, em acção. Olho os mochos, as formigas, as abelhas e os meus cães todos eles, pois são, quem me ensina que a vida é só ser, ser eu próprio e aceitar, dar a mão. Abraçar, amparar, repartir, ouvir mais e aprender sem temor, o amor é o silêncio do mocho, é o mel, é o vento, é a côr. Todo o bicho é Natureza profunda e eu só cresço quando sinto uma dor. Mas não me queixo e sigo em frente, escalo montes e montanhas até, mas não quero correr sem destino, devagar, passo a passo, pé ante pé. Sou um bicho e quero ser mais, e não quero fazer ruído a pensar, quero voar em silêncio na vida como o mocho que eu vi hoje a passar.
Subscrever:
Comentários (Atom)

