segunda-feira, 20 de dezembro de 2021


        Sem esforço me enamoro do vento que chove as folhas que caem e cobrem este chão. Sem resistência os meus passos flutuam nestas nuvens escarlate escuro debaixo dos meus pés. Levito e avisto o Sol que nasce, que me envolve e ilumina, pintando de dourado esta massa única de vida e mudança. As folhas não caem, transformam-se. O Sol não avança, ampara, e a vida começa onde tudo acaba. É o galo que canta, são os cães que me olham. É a gota de orvalho que os meus olhos exploram. É um dia igual e tão diferente porém, como as penas e os cantos que só os pássaros têm. As pedras protegem do frio e pisam de leve a paisagem e o rio para que não voem com o vento que chove as folhas que caem e cobrem o chão. São pequenas e são grandes, folhas várias como nós, são folhas que passam e voltam, como elas os nossos avós. O respeito que me impõem de tão simples e belas que são, leva-me a caminhar em silêncio olhando, sorrindo, os meus cães. Eles sabem que tudo é efémero vivendo cada segundo do dia e da vida, e eu aprendo com eles alegre, que tudo não é um bilhete só d'ida. As folhas caem e depois voltam e há luz após a escuridão, é no frio que o calor me acolhe como estas folhas que cobrem o chão. Irei para onde vão isso sei, e para onde tal não me importa, porque quando pairo sobr'elas eu já fui, volto a ser árvore direita, outra torta. Sem esforço me enamoro deste vento que chove as folhas que caem e cobrem o chão.