Triste é fazer da vida negra quando tão colorida ela o é. Negras são algumas lindas flores, bem como alguns bons humores que fazem rir ao deus-dará. Negras são as naftas que boiam e que o mar de volta trará. Nem a noite sem as estrelas tal viúva que o não é, é tão negra como pensam, negra é certa maré. Vejo o negro como cor, sinto o negro como luz, e as negras dores que me ensinam que tudo é vida, e seduz. Tento ver longe no negro, vivo a claridade do todo finito, e encontro nesse momento um carinho tal um barco num porto de abrigo. Não me escondo nem tento fugir, da vida, da morte ou do escuro pois são coisas naturais do dia, e ver luz é saltar o muro. O muro é a minha cabeça, meus sentimentos e emoções, salto a cerca sem estar aflito, e procuro um caminho, o meu fito. Do carinho, do amor e verdade, e assim, por conseguinte, da paz. É um caminho bem possível e até fácil se de me trabalhar for capaz. Por isso tento e não paro, não posso. Tenho e gosto de fazer. Para não definhar devagar, p'ra viver em pleno prazer.
Não é triste nem vergonha morrer. Triste é fazer da vida negra quando tão simples de a pintar ela o é.

