O possivel encanto de ir encontrando coisas belas sem as procurar...
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
Ando com a ideia de falar sobre um telhado, seu beirado, corta-fogos e pára-raios. Sem dar palpites, estes apetites levam-me a pensar nas paredes que o seguram, no chão que as sustém e nos animais que por lá vêm, lá se recolhem e se acolhem das chuvas d'inverno, trovoadas de agosto, estrelas cadentes e pássaros indispostos. São gostos... As paredes não são finas mas sim cortinas de suor, luta e trabalho, tal atalho de mais um braço feito alavanca. São de pedra e barro, mais gigantes que os seus pés assentando na Terra-Mãe que não é plana mas uma trama de vida e morte em que a sorte não tem de mudar. Quem o tem de fazer sou eu, pois o apogeu de um telhado é a alma que protege, afaga e acarinha. O telhado é o Universo. Da vida, do mundo, no fundo, de nós. Não esqueçamos os nossos avós... As telhas, são abelhas que roçam as flores de todas as cores e as vigas não são apenas madeira, mas árvores com eira e beira, artérias, veias e capilares, só e apenas as pedras basilares porque o corpo é uma casa. Tratá-la bem é melhor ser, construí-la é aprender, que a vida é para viver e não ressentir ou sofrer. Faça chuva ou faça sol, e como peixe evitando o anzol, cada telha é uma estrela que faz do telhado o infinito que é, na verdade, tão simples, natural e bonito.
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