O possivel encanto de ir encontrando coisas belas sem as procurar...
sexta-feira, 3 de julho de 2020
Ó velhas amigas ovelhas, quanta alegria e chocalhos, balires e prados pisados, trouxeram com tão inesperado regresso. A casa não era plena e faltava-lhe um belo pedaço como as frutas que rapinavam. Partiram num sol poente, deixando o ambiente doente sem despedida ou bilhete qualquer. Saíram emancipadas, precisando dum par de chapadas por fugirem tão de repente. Mas não maltratar animais nem outros seres, os tais, é um lema que cultivamos. Deixámo-las ir e até mais, levaram amor e carinho, pão mole e vegetais. Não olharam muito p'ra trás, que p'rá frente é o caminho, e pelos seus próprios pés que só eu um tinha rasgado, enveredaram na aventura de seguir o seu destino. Não foi fado e sim roque, pois neste xadrez da vidinha nem elas escaparam ao que o universo lhes escolhia. Passaram luas crescentes, nuvens e sóis muito quentes, e nós sem seu sinal ou visão. Mas eis que às cinco da tarde, com esperança e muita saudade, ouvimos um som nada estranho. Badalos tal como acordes, passadas ao longe, só pode, ser mais que imaginação. Entraram em fila indiana, direi mesmo alentejana, pelo portão que já conheciam. Altivas e confiantes, como nunca visto antes, seguiram para o seu feno, sabendo bem o que queriam. Tosquiadas, esbeltas e finas, voltaram p'ra casa, as nossas meninas.
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